Nossa História

Mais de 50 anos do primeiro número criado numa sala de aula em Caratinga, a Jararaca Alegre tem site novo e a história que você precisa conhecer.

50 anos
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1986
Anos 80-90
2000
DESDE 2000
2005
2007
2015
2025
2026
50 anos de estrada

A Jararaca Alegre é, provavelmente, o fanzine mais antigo em publicação no Brasil. Circulando ininterruptamente desde 1975, em forma de jornalzinho estudantil, jornal, revista, suplemento de jornal, coluna, tirinha, livro, CD, DVD, ou seja, de uma forma ou de outra, nunca deixou de se apresentar periodicamente desde então.

Criado em 1975 pelo estudante da 7a série do Colégio Estadual de Caratinga - MG, Camilo Lucas, teve em sua equipe colegas de sala, amigos da rua, artistas que foram se encontrando pela estrada da vida; publicando humor, fofoca, notícia, crônica, charge, cartum, fotografia, artes, literatura, folclore, poesia... involuntariamente, o editor selecionava para apresentar aos seus leitores coisas que ele mesmo gostaria de ler. A ideia é esta: alimentar o prazer de ler.

Impresso em mimeógrafo, tipografia, linotipo, off-set, xerox, ou mesmo online. E assim, se passaram 50 anos - e contando! Nesta linha do tempo, pode-se conhecer alguns dos pontos cardeais desta trajetória, de forma bem resumida, pois 50 anos não são 50 dias!

1974

No "Colégio Estadual" de Caratinga, Carlim Rezende, Camilinho, Márcio Cabeção, Fernando Aranha, José Assis Jr., Marcelo Motta e Marrom começam um jornalzinho a pedido da professora Maria José, de português, chamado "O Curupira". O juiz de direito da cidade era nosso funcionário no departamento de datilografia, pra você ver. (Brincadeira, viu, tio José Assis! Lembrança carinhosa!) A mesma turma editou também "Um barato que não sai caro" e a revista em quadrinhos do "Detetive Anderson".

1975

Criando uma dissidência dentro d’O Curupira, Camilo chama o Márcio Cabeção e eles publicam a primeira edição da Jararaca Alegre, inspirados principalmente pela revista MAD. Data de capa: 18 de junho de 1975. Dia, também, do aniversário de Paul McCartney. Nas próximas edições, juntam-se a eles Marcelo Motta, Cláudia Lelis, Marco Antônio Lelis e Eloi Lopes Filho

1976

Camilinho toma bomba na 7a série, mas leva a Jararaca com ele e, na nova turma, se junta a Eloísio Lacerda de Oliveira, que também escrevia e desenhava, e iniciam uma fase profícua da Jararaca, quando ela chega a ser publicada semanalmente. Participam ainda como colaboradores Ângelo Araújo, Pinard Cunha, Nelson Marrom, Carlão Araújo, Mônica Bussinger, Elpídio Inácio e outros.

A Jararaca Alegre passa a ser oficialmente o jornal estudantil da cidade, ganhando uma sala no Centro dos Estudantes de Caratinga. O Colégio Estadual realizava semestralmente o "Gremio Geral", que era um festival cultural envolvendo todas as salas (cada uma tinha seu grêmio) e a turma da Jararaca participava apresentando esquetes, apresentações musicais, tendo coordenado algumas das edições.

1977

Foi o ano em que Ziraldo conheceu a Jararaca Alegre.
Entregamos a ele um exemplar na mesa de jurados do FEMPOC - Festival da Música Popular de Caratinga, organizado pelo Centro dos Estudantes, do qual a Jararaca fez parte da organização. Ziraldo gostou do que viu, elogiou, se dispôs a contribuir e aconselhar. "Vocês tem de ler o Pasquim, o Movimento, a Veja, o Jornal do Brasil". Pedimos para ele autografar um exemplar e Ziraldo escreveu: "para o Camilo, esperando por ele no Rio" e no verso, colocou seu endereço. Pra que??? Nunca mais teve paz.

1978

Passou o tempo, a turma debandou, e nosso editor meio que desanimou do jornalzinho, mas depois de um tempo sem publicar, Flávio Boca e Marcelo Baby se juntam ao Camilo para iniciar uma nova fase da Jararaca Alegre. Surge a BBC - Baby, Boca e Camilo - ou Boca, Baby e Camilo, se vocês perguntarem pro Boca. Surge também a Jararaca Som Discoteque, uma gambiarra juntando vários 3 em 1 que a turma tinha, emendando fio de um para o outro, construindo "jogos de luz" improvisados, tudo com o objetivo de fazer festa em todo terraço da cidade que se dispusesse a arriscar um incêndio por curto circuito. E assim, A Jararaca Som realizou algumas das mais memoráveis festas para quem foi adolescente na virada dos anos 70 para os 80. Além do trio acima, a Jararaca Som era formada por Luciano D’Batal, Alexandre Camaleão, Délio CP e o inexorável diretor de faxina da Jararaca: Gripinym.

1979

O SOM TEMPORAL, comandado por Rodrigo e Orêia, promovia as maiores festas da cidade: domingueira no América, festas no clube Caratinga e no 120, era o som que fazia nossa trilha sonora, e a gente ficava sapeando e "trabalhando" de voluntário pra entrar de graça e eles deixarem a gente bancar os DJ. Foi nesse ano que aconteceu o primeiro Tiapo Tia Tiapo, festa que entrou pra história como a Rockonha de Caratinga. Mereceu um editorial de primeira página do ultraconservador "O Jornal de Caratinga" intitulado "Barra pesada".

1980

Caratinga tinha um movimento estudantil muito ativo, e a Jararaca Alegre formou uma chapa para concorrer ao Centro dos Estudantes (CEC). Fomos classificados como comunistas e maconheiros, unindo todo o coronelismo arenista que dominava a política local contra a gente. Sendo uma chapa formada por Salatiel (presidente), Camilo (vice) e os "deputados" Orêia, Sânzio Papagaio, Serginho Cogú, Márcio Cabeção, Joãozinho Taruíra e outros (todo mundo dentro do fusca na campanha), ninguém acreditaria que nossa fama era só boato. Perdemos, mas foi roubado.

1981

Se não deu pra tomarmos o poder no CEC, então a gente criou o Movimento Cultural Caratinga 81! Incentivados por Ziraldo, realizamos, entre outras coisas, a tarde de autógrafos de Ziraldo com a primeiríssima edição do Menino Maluquinho (ninguem imaginava o que ele iria se tornar!), exposição do consagrado artista Josias Moreira, após sua residência na Alemanha, e a Primeira Mostra de Música do Interior Mineiro, trazendo a Caratinga Alceu Valença, Toninho Horta, Sagrado Coração da Terra, Jards Macalé, Sérgio Moreira e mais uma dezena de nomes da MPB. E a redação da Jararaca ganhou nomes como Marco Porcaro, Júlio Pomba, Arthur Boi e outros grandes amigos

1982

Terminou a fase escolar, todo mundo debandou pra estudar fora, trabalhar, casar, estas coisas. Camilo foi ser chargista no JORNAL DO NORTE (Montes Claros - MG) e, a partir de 1982, Jararaca Alegre passou a circular novamente sempre que havia um encontro da turma: feriadão, festa do caratinguense ausente, festa do Tiapo Tia Tiapo, natal, carnaval; enfim, qualquer coisa que fizesse quem tinha debandado aparecer na cidade.
Numa época em que não existia rede social, a Jararaca era um registro de quem pegava quem, quem pagou mico, quem se deu bem, quem se deu mal, e a zueira comia solta, com os redatores correndo novo risco de vida a cada nova edição.

1986

A turma da Jararaca Alegre forma a Transarte Produções, com o intuito de profissionalizar a atuação em publicidade e realização de eventos. Com foco total na mistura de negócios e prazer, realizam uma avalanche de shows (Biquini, Hanói, Plebe Rude, 14 Bis, Ira, Belchior etc.) e festas (Tiapo, Anos Dourados/com Eneide, Remember Jamanta) e festivais (Festival de Rock de Caratinga, Juntos, Trem das Cores, Faficanto) e eventos (Festa do Inhame, Feira da Paz, Carnavais). 90% do que aconteceu em Caratinga entre os anos 80 e 90 tinha a mão da Transarte: os dedos de Camilo, Aluisio, Baby, Dadá, Claudia, Marquinho, Riquete, Fernando, Joyce & cia. A agência terminou pelo mesmo motivo que começou: Muito rock.

Anos 80-90

Circulando muito esporadicamente, a Jararaca Alegre nunca ficou ausente da mídia, sendo publicada em forma de suplemento, coluna, tirinha, cartum etc. nos jornais de Minas em que Camilo atuou, como chargista, colunista, repórter ou editor: Jornal do Norte (Montes Claros), Diário do Rio Doce (Governador Valadares) e A Semana e Diário de Caratinga. Teve também uma fase marcante na Revista Night, onde surgiu a coluna "Consulte o Tio Camilo", um verdadeiro escracho que só se acreditava lendo e, lendo, não se acreditava

2000

No ano 2000, depois de muitas andanças, Camilo resolveu transformar a Jararaca Alegre em uma revista de verdade. Com material de primeira, produzido por um time de artistas, escritores, cartunistas, jornalistas e fotógrafos de sua rede de amizades, fazendo com que ela saísse da bolha de Caratinga e pudesse ser lida em qualquer parte do Brasil. Com um incentivo de Ziraldo, a numeração foi zerada e inciou-se uma nova fase, onde se liam tanto autores inéditos, porém de qualidade, quanto nomes consagrados, como Laerte, Angeli e Ruy Castro, que nos autorizadam a publicação.

Desde 2000

Uma característica desta nova fase da Jararaca Alegre foi a realização de festas de lançamento a cada edição. Estes eventos aconteciam em várias cidades sempre que uma nova edição era publicada. Assim, aconteceram encontros com muita música, humor e conversa boa em Caratinga, Belo Horizonte, Rio, São João del Rei, Tiradentes, Ouro Preto, Ipatinga, Matipó, Santa Margarida; enfim, sempre que era possível, um novo local entrava pra lista. A revista circulava também em eventos como Fórum das Letras de Ouro Preto, Inverno Cultural da UFSJ, Festa Literária de Paraty, Festival de Cinema de Tiradentes, Festival de Inverno de Itabira e outros.

2005

Quando completamos 30 anos de publicação da Jararaca Alegre, em 2005, resolvemos tentar reunir a turma do colégio, dispersa pelo mundo, para um grande encontro em Caratinga. E conseguimos! Veio gente do Rio, SP, Paraíba, Recife, Vitória, Belo Horizonte e mais um monte de cidades, gente que não se via há décadas. Fizemos um som na rua, em frente à casa do sr. Quinzinho, cujo bar era nossa "redação", e à noite, a festa "70 outra vez", com o som comandado pela Fireball. Foi lançado o livro "O Baú da Jararaca Alegre", onde Camilo conta as histórias da juventude desta turma. Nota triste deste encontro foi o falecimento do amigo Luis Claudio Souza Leite, grande músico, que estava organizando a parte musical. Mantivemos a festa e fizemos a ele uma singela homenagem.

2007

A Jararaca Alegre viveu uma fase muito rica, quando firmou parceria com Os Impublicáveis, que acabavam de criar seu site e iniciavam a publicação de sua revista. Um coletivo de escritores extremamente criativos, verdadeiros amantes da literatura, cheios de autenticidade e verve. O grupo anda meio dispenso mas o editor Robert de Andrade mantém o site no ar: osimpublicaveis.com.br

2015

Agora a Jararaca fazia 40 anos, e mais uma vez tivemos de comemorar à altura. Desta vez com um festival cultural, que durou 5 dias, com lançamentos de livros e Cds, festa-baile, shows musicais na praça e no clube, festival de rock, apresentações artísticas e, principalmente, grandes encontros.

2025

E, entre novas publicações, eventos e realizações, chegamos aos 50 anos em plena atividade, e decidir realizar um ano de comemorações era a coisa certa a se fazer. Com a idéia de reviver eventos que marcaram nossa trajetória, realizamos ao longo de 2025 a entrega do Troféu Jararaca Alegre 50 anos; uma noite de carnaval com o Reencontro dos Blocos de Caratinga; mais uma edição do Festival Cultural Arteiros de Caratinga; a exposição 50 anos da Jararaca Alegre com imagens, documentos, obras de arte, fotografias e uma retrospectiva visual da nossa história; realizamos também «O Último Rock do Ano», em dezembro, e colaboramos com a realização de eventos, lançamentos de livros, filmes e Cds. Enfim, foi um ano intenso!

2026

2026
E assim iniciamos os novos 50 anos da Jararaca Alegre...
Numa guinada de 180 graus, resolvemos voltar a revista ao formato jornal - inspirados no Pasquim, do nosso eterno padrinho Ziraldo! Com uma pegada local sem tirar o interesse em outros territórios, publicação mensal, trazendo material produzido pelos nossos colaboradores e divulgando o que de melhor Caratinga apresenta nas artes, na cultura, no entretenimento e no social. Com esta nova fase, esperamos seguir pelos próximos anos, e este novo site também faz parte do pacote. Deus abençoe nossa caminhada!